Uma
menina, de olhos castanhos escuros como a noite sem luar.
Um anjo de luz, caminhando em sua inocência
e doçura, aprendeu que a vida é feita de vitrines.
E as vitrines são feitas para olhar.
Esse pequeno anjo caminha entre as
crianças na escola, mas seu desejo era o recreio, quando podia tomar sopa e
procurar os pequenos tomates e batatas perdidas.
Essa menininha pobre, sempre com a mesma
roupa batida pelo tempo.
Mas continuava a passar aqueles lindos
olhinhos pelas mesmas vitrines, cobiçando os salgadinhos sem saber o sabor que
tinham.
E ela foi crescendo olhando as vitrines
que a vida lhe ofereceu, e entendeu que continuaria a ver vitrines.
E esse pequeno ser, sem muito entender,
só conseguiu viver porque nunca deixou de sonhar.
A vida lhe mostrou muitas vitrines, mas
nenhuma vitrine do mundo poderia se comparar com a vitrine da escola.
Porque em sua inocência não conseguiu
esquecer as vitrines que seus pequenos olhinhos não cansaram de olhar.

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